Angústia

Mais um poema, que compõe a minha fase ‘poetisa’.

Apenas peço que não confundam minha maneira de escrever com meu momento. Ao contrário do que parece pelo poema, não estou na fase de sofrer, principalmente, em silêncio. Me sinto feliz, mas não consigo abandonar esse lado triste do poema, que, pra mim, são os mais belos.

Angústia

“Eu sempre sofri em silêncio
E as dores, escondidas pelo sutil sorriso
De um alguém que insiste em ser feliz
Vez ou outra tentaram me fazer desistir.
Mas não! Nunca deixei que isso acontecesse.
Eu aprendi muito.
Esqueci muito do que eu sabia também.
E não será agora que isso vai mudar.
Aliás, isso nuca mudará.
Continuarei eternamente aprendendo e esquecendo coisas.
Isso não é algo que me agrada,
Mas não consigo controlar a lei da natureza,
Que é bem diferente da lei dos homens.
Ainda que ela só exista pela cruel “lei dos homens”
Que para sempre irá condenar pessoas como eu e como você,
A algum momento da vida,
Sofrer em silêncio.”

Sou eu

Um poema que não me traduz, mas explica; talvez complica; mas no que isso implica? Nem mesmo eu sei decifrar. Apenas um poema.

“Sou romântica que não gosta de rimar
Poetiza que não sabe estruturar
Amante que não quer amar.

Sou alma que perde a razão
Louca que foge à paixão
Sábia que diz o não.

Sou a que implora
Que apavora
Que ora.

Sou
Eu.”

Quando a gente nasce

Nascer é um fenômeno constante, que se renova em cada etapa de nossa vida. Não acho que acontece apenas uma vez, como se acredita. Nascer é vai além de sair do ventre materno, esse é o primeiro nascimento, quando temos o primeiro contato com esse mundo. Mas no decorrer da vida, nascemos por várias vezes, em cada nova fase. E são muitas ao longo do nosso caminho.

Quando crianças, desde muito cedo passamos por nosso segundo nascimento: o nascer para a fase estudantil. Passamos a freqüentar a escola, onde conhecemos uma nova realidade e começamos a aprender novas coisas. É um novo despertar para o mundo, uma nova fase para nós.

O tempo segue e um dia a gente cresce. Chega a hora de começar a trabalhar, se tornar mais responsável. Começa assim mais um nascimento: o nascer para o mercado de trabalho, onde encontraremos desafios ainda desconhecidos, pessoas e costumes diferentes daqueles com os quais convivíamos antes; aprendemos a conviver ainda mais com opiniões adversas às nossas e descobrimos, definitivamente, que precisamos respeitá-las.

Em meio a essas mudanças de fases, nunca se sabe exatamente em que momento iremos nos deparar com o outro nascimento: para o amor. Encontramos alguém que faz a gente se sentir diferente, que muda nossa maneira de enxergar o mundo e até nos faz esquecer como eram nossos dias antes de conhecê-la. E por meio desse nascimento, acabamos, naturalmente, seguindo para o próximo nascer, que se constitui em construir uma família, como aquela em que nascemos pela primeira vez.

Mas não são apenas esses momentos que implicam um novo nascimento. Durante toda a vida, passamos por muitas situações em que sentimos a necessidade de nascer novamente. Talvez, nascer para novos planos, talvez para novos empregos, ou ainda para novos amores; ou, talvez ainda, nascer novamente para a vida como um todo.

E cada vez que a gente nasce descobrimos algo novo, encontramos respostas, até para perguntas que ainda não havíamos feito. Quando a gente nasce, uma nova realidade nasce com a gente, um novo aprendizado, uma nova oportunidade, tudo se renova.

TENTENTENDER

Algumas músicas falam por nós. Algumas ainda, falam como nós.

Há coisas que não conseguimos explicar, assim como há aquelas que não precisam de explicação.

E há aquelas que nem ao menos gostaríamos de explicar, pelo simples fato de que não gostaríamos que acontecesse.

Tententender.

“Se eu disser que vi rastejar a sombra do avião

Feito cobra no chão

Tententender a minha alegria,

A sombra mostrou o que a luz escondia.

Se eu quiser ser mais direto eu vou me perder

Melhor deixar quieto.

Tententender, tente enxergar o meu olhar

Pela janela do avião.


Que amor era esse, que não saiu do chão?

Não saiu do lugar,

Só fez rastejar o coração.


Se eu disser que tive na mão a bola do jogo

Não a acredite.

Tententender a minha ironia

Se eu disser que já sabia.

O jogo acabou de repente,

O céu desabou sobre a gente.

Tententender eu quero abrigo

E não consigo ser mais direto.”


A pressa e a perfeição

Aqui estão duas coisas que realmente não combinam, que se detestam, que não querem mesmo estar juntas, seja lá para o que for: a pressa e a perfeição.

Sempre que ouvimos essa expressão popular, que diz muita verdade, não paramos para pensar em como ela faz sentido. Pelo menos, parece que não paramos, porque sempre estamos tentando colocar as duas juntas e esquecemos da velha rivalidade que há entre elas.

Às vezes tomamos decisões importantíssimas de uma hora pra outra, no “pá-pum”, sem pensar que as conseqüências podem não ser tão agradáveis assim. Escolhemos na pressa, não analisamos, não esperamos o tempo certo e necessário; aí, a perfeição some, não quer nem saber do que vai acontecer com a gente. Resultado: sobra aquele gostinho de decepção.

Por outro lado, sempre dizem que nada no mundo é perfeito, somente Deus, eu mesma acredito nisso. Mas se também levarmos em conta que (para quem acredita) somos feitos à imagem e semelhança Dele, somos “perfeitos” também, ou pelo menos devíamos  tentar colocar em prática essa dádiva.

Só que, na maioria das vezes, principalmente quando se trata de algo que queremos muito, não conseguimos sequer tentar dar uma chance para que tudo saia, se não perfeito, pelo menos o mais certo possível. Passamos por cima da lógica, não pensamos nas conseqüências, tudo por conta de uma vontade extrema de que tudo aconteça ou termine logo. Quando isso acontece, geralmente, o que era um sonho acaba se tornando um pesadelo. E nessa hora bate aquele arrependimento, e vem à mente aquela pergunta “Porque eu não pensei antes?”.

Quando alguém disse pela primeira vez que a pressa é inimiga da perfeição poderia até estar enganado, mas essa é uma expressão que não foi usada apenas uma ou duas vezes, é uma expressão que pegou, que ficou. Então, porque insistimos em não acreditar nisso?

Talvez ninguém no mundo tenha a resposta exata para essa pergunta, até porque, nós, seres humanos, somos imprevisíveis e impossíveis de se entender por completo. Muitas teorias foram lançadas e ainda assim são apenas teorias, algumas comprovadas, mas nenhuma que descreva exatamente que tipo de atitude cada indivíduo tomaria diante de uma mesma situação.

Enfim, a pressa e a perfeição são substantivos contrários e precisamos entender isso. Tomar atitudes, fazer escolhas que sejam conscientes, dependem, e muito, de calma e certeza. E na pressa acabamos não tendo muito tempo pra pensar, tampouco para ter certeza de que é realmente o que queremos.

Meus versos simples

Em meio a alguns momentos de inspiração do meu dia, algumas frases me vêm à mente.  Eu paro, as escrevo e reflito sobre a verdade que elas contém. Quando percebo que tem um mínimo fundo de sentido, as guardo, e a partir de agora, vou compartilhá-las com você.

“Uma mente madura traz junto de si a paciência e a consciência necessária para tomar decisões, se não mais certas, pelo menos mais seguras.”

A correria nossa de cada dia

Bem! Estou definitivamente sem tempo para escrever para este blog. Mas não desistam de mim, a culpa é dessa correria louca que estamos vivendo. Os dias estão mais curtos, os trabalhos aumentando cada vez mais; a correria é tanta que parece interferir até nos sonhos, dá impressão de que as noites estão encurtando também.

É assim todos os dias, a rotina não muda, muitas tarefas tendo de ser cumpridas, muitas informações tendo de ser processadas e, pronto!, lá se vai nosso precioso tempo sendo preenchido, e o pior, muitas vezes até com coisas desimportantes.

Há quem culpe o avanço tecnológico por isso, eu digo que o culpado somos nós mesmos. Nenhuma máquina se auto-criou, nem somos obrigados a participar de alguma comunidade virtual, aliás, não éramos, mas como toda a sociedade aderiu, e muito bem à idéia, agora somos condicionados a fazer parte desse mundo virtual, ou estaremos fora do mundo real.

Com a invenção das máquinas, o tempo passou a ser melhor aproveitado, isso pelo olhar capitalista. Com a facilidade trazida por essa tecnologia, aumentou-se a demanda por produção, e essa facilidade possibilitou a uma mesma pessoa desenvolver diversas funções, o que, talvez, seja uma das causas do aumento de nossa correria. Mas não se esqueça que eu ainda considero nós, seres humanos, os principais vilões dessa história.

O único problema é que parece ser tarde demais para corrigir o erro e impedir que continuemos nos afastando de nós mesmos. Nossa vida é, desde muito tempo, o resultado do acúmulo de noites sem dormir, de festas perdidas, de amigos que passaram, da falta do desabafo, do programa de TV não assistido.

Mas, como defendo que os responsáveis por tudo isso somos nós, posso dizer também que podemos criar uma realidade diferente, não para o mundo, mas para nós e o nosso mundo, que envolve as pessoas que amamos, aquilo que mais gostamos de fazer. Eu sei que a falta de tempo não perdoa, mas, talvez, se deixarmos por um instante de nos preocupar com qual será o próximo passo e decidirmos viver um instante de cada vez, consigamos agregar coisas mais importantes nessa correia, e façamos a nossa vida melhor.