Arquivo para janeiro \20\UTC 2012

Sim, também sou uma incomodada

As pessoas consideram o BBB um programa idiota, acham que é falta de inteligência social falar tanto da Luiza enquanto tantos problemas acontecem no mundo, e não há mesmo como discordar disso tudo que dizem, não dá pra negar que o BBB é o programa mais idiota (ou um dos mais) que já existiu e que o mundo possui pautas muito mais interessantes que o assunto da Luiza que estava no Canadá. Mas acho que estamos subestimando um pouco esses males intelectuais do século.

O BBB é tão idiota que consegue ganhar a atenção de 100% da população. Sim, 100%. Seja pelos que gostam e comentam, seja pelos que criticam, ele é o assunto da pauta, e não porque alguns gostam, mas porque até mesmo os incomodados com tamanha idiotice, não conseguem parar de dar audiência para o programa. Agora, eu não chamaria de idiota um programa que consegue ser o assunto mais comentado pelo Brasil inteiro; acho isso no mínimo esperto, pois o que importa pra eles não é fazer um programa de cunho intelectual, nunca ofereceram isso como proposta, o intuito maior do programa é ganhar dinheiro, e isso eles sabem fazer muito bem, ou seja, o programa idiota cumpre muito bem com o seu papel. O problema é que as pessoas não admitem esse fato, e o resultado é que todo mundo contribui com seu sucesso. Afinal, quem é mais idiota, o programa que se coloca como tal, ou as pessoas que dizem que não suportam e mesmo assim ajudam a lembrar do programa o tempo todo?

E a Luiza, que coisa mais idiota pra se comentar tanto nas redes sociais, não é? Tanta tragédia no mundo, tantas crianças passando fome, tantas famílias desalojadas por conseqüência dos desastres naturais, tantos criminosos soltos e muitos deles no congresso, tantas e tantas desgraças, e as pessoas preocupadas com a Luiza que está com a vida ganha no Canadá? Bem, eu não diria que as pessoas estão preocupadas com a Luiza, apenas são pessoas que preferem levar a vida de uma maneira mais descontraída, pessoas que sabem criar graça onde pode haver graça, sem brincar com as coisas sérias. Rir de coisas bobas é bom, e não é porque o mundo está em crise (em todos os aspectos) que vamos deixar essa prática de lado.

Outro detalhe interessante nessa história toda é que já vi crítica pelo contrário também. Houve um período em que as pessoas se mobilizaram nas redes sociais indignadas com o fato de uma mulher ter matado um cachorrinho indefeso, em outro momento se manifestaram contra a construção da Usina de Belo Monte e, da mesma forma, houve pessoas criticando. Muitos disseram que comentar o ocorrido nas redes sociais era hipocrisia, que isso não mudaria nada, que ao invés de ficar falando deveríamos agir. E eu realmente concordo com essas críticas, todos sabemos que as palavras pouco fazem sem uma ação concreta, mas então, que ao menos possamos criar “assuntos” que nos permitam amenizar os tristes fatos que ocorrem diariamente, ao nosso lado. Quem não gostar da brincadeira, é só não brincar, e com certeza ela se acaba antes do esperado.

Sim, eu assisto ao BBB quando dá, achei graça na Luiza, mas eu também concordo que são assuntos que não têm nada a me acrescentar, concordo que às vezes irrita um mesmo assunto sem sentido nortear todos os posts do facebook, mas não é por isso que eu vou contribuir com a popularidades desses demonstrando a minha insatisfação, por que isso só faz com que o poder de alcance desses assuntos se alavanquem. Cada vez que você posta uma crítica ao BBB, você está divulgando o programa e, talvez, alguém que não conhece, passa a assistir pra ter suas próprias conclusões, aí pronto, você que não gosta do BBB e que quer que o programa acabe, contribuiu para mais um ponto de audiência. E cada vez que você pede pra pararem de falar da Luiza, quem está falando dela é você.

Curta quando achar interessante, compartilhe quando concordar, comente mesmo se for pra ser contrário, afinal todos têm o direito de expressar a sua opinião, mas não fique batendo na mesma tecla, não se preocupe tanto em demonstrar a sua apatia com o assunto, respeite a opinião dos outros para que você não seja obrigado a ter contato com o que não quer por mais tempo. Incomodados, se mudem, ou aceitem a contradição que vocês estão criando.

O que ando aprendendo com a vida

 

A vida é mesmo engraçada. Muitas vezes não nos damos conta do  quanto. Nunca, ou raramente estamos satisfeitos com aquilo que temos; sempre reclamamos por aquilo que não temos; e quando temos, iniciamos a via de mão dupla de insatisfação.

É estranho, e até um pouco triste, ver como a raça humana age diante de determinadas situações. Somos seres tão fortes e tão fracos ao mesmo tempo; carregamos aparências que nem sempre se encaixam com o que estamos de fato sentindo; expressamos sentimentos de forma oposta ao que gostaríamos de demonstrar e, por muitas vezes, falhamos no momento em que mais precisamos do acerto.

Não sabemos quando valorizar ou quando devemos abandonar. Somos dotados de razão um tanto quanto irracional. Não sabemos a hora de dizer não, mesmo estando cientes de que esse momento chegou. Talvez por saber que o não traz uma série de conseqüências tão ruins quanto às do sim, mas ainda assim, o sim nos dá mais segurança. Porque somos “educados” sob a ótica do “se arrepender apenas do que fez”. E como isso é relativo, não? Se você insiste em algo que parece não estar dando certo, você deve se arrepender pelo que FEZ (insistir), ou pelo que NÃO FEZ (desistir)?

Nunca nos arrependemos pelo que fizemos, a meu ver isso é impossível. Sempre nos arrependemos pelo que não fizemos e poderíamos ter feito, mas o medo, às vezes sensato, não nos permitiu fazer, e em contrapartida fazemos alguma coisa.

Penso assim da mesma forma que penso que ninguém aprende com os erros, nem mesmo com os acertos, nem seus, nem dos outros, a gente age com a necessidade de tomar uma decisão. O que pode funcionar agora pra mim, pode não funcionar numa ocasião semelhante pra você.

O que eu quero dizer é que não adianta ter medo. Observando pessoas, vejo nelas os mesmos erros que eu cometi, mas quem sou eu pra dizer alguma coisa? Não existem fórmulas certas, não existem atitudes pré-estabelecidas, nem falas moldadas que se adaptem a todas as ocasiões. A única coisa certa é que nunca saberemos o que deveríamos ter feito até que façamos, e as conseqüências, por piores, ou melhores que sejam ficam como experiência, não como aprendizado. Pois certamente, em algum momento, voltaremos a cometer os mesmos erros e acertos de outrora.