Arquivo para agosto \24\UTC 2010

Microconto

Começo agora uma nova série, a de microcontos. Gosto de viajar nas palavras dizendo o que se pode entender se viver, ao menos por alguns instantes, o que se diz. Indecifráveis? Nunca. Compreensíveis? Talvez. Verdadeiros? Quase sempre.

Microconto:

“Ele dizia: não quero nunca machucá-la.
Ela pensava: já não posso mais viver sem ele.
A vida insistia: Mas você viverá.”
Anúncios

A vida, agora.

Vamos lá, abandonar por alguns instantes meu instinto romanticíssimo para falar um pouco sobre outras coisas que não exija versos estruturados. Vamos então falar de alegria, de festa, de amigos, de baladas, de trabalho, de Deus, de tudo que nos envolve e constrói a nossa vida.

Que tema abrangente, né? Pois é, fica meio difícil mesmo em apenas um post falar sobre todas essas coisas, aliás, eu nem saberia o que falar sobre todas essas coisas, já que são pessoais, e cada pessoa encara de uma maneira. O máximo que, talvez, eu conseguisse falar é sobre minhas experiências. Mas isso não é assunto interessante pra ninguém que não me conheça, e quem já me conhece, já conhece também o meu dia a dia.

Enfim, queria mesmo é falar de como é bom aproveitar a vida, que está relacionado a tudo que eu disse ali em cima (tema apropriadíssimo pra uma sexta-feira), como é bom dedicar um tempo pra nós mesmos, deixar de lado as preocupações com trabalho, dinheiro, sentimento etc. etc. etc. São tantas coisas que invadem nossos dias que raramente paramos pra viver de verdade (claro que, isso é pra algumas pessoas, porque outras sabem, e muito, como viver).

O fato é que, sempre trabalhamos, estudamos, pensando em construir um futuro. Mas o problema é que esse “construir um futuro” é constante, não para, e, se analisarmos, passamos a vida inteira tentando construir o futuro, que acaba nunca chegando.

Por isso, eu defendo que o importante de verdade é planejar o futuro, se preparar pra ele é fundamental sim, mas viver o agora é indispensável. É legal fazer loucuras, às vezes; é bom extrapolar, fugir do limite, esquecer que existe o amanhã e aproveitar única e exclusivamente o hoje (mas lembre-se que eu disse, só às vezes), por que ficar preso a uma ideia de que eu preciso me privar hoje pra ter amanhã pode não funcionar, afinal, hoje você diz isso, amanhã também, e depois, e depois, e aí? Quando é que você vai realmente aproveitar, se o amanhã estará sempre no amanhã?

Acordei hoje com vontade de falar sobre isso porque é sexta-feira, e sextas são sempre inspiradoras, é como se uma fase acabasse (o trabalho) e um novo ser surgisse em nós (o baladeiro, pra quem curte festa; o fiel, pra quem se dedica mais à igreja; a dona de casa, pra quem é mãe; o jogador de futebol, para os homens, e por aí vai), uma boa oportunidade pra colocarmos em prática o assunto deste post.

Claro, não estou dizendo que não devemos pensar no amanhã, longe disso, e já disse por várias vezes. Mas é possível, sim, viver o hoje, fazer a oportunidade e não esperar que ela venha. E isso sem se desfazer da responsabilidade, do bom senso (mesmo que faça loucuras) e dos limites. Todos nós nos conhecemos bem, eu acho, então sabemos exatamente onde podemos chegar, o que nos fará bem sem prejudicar nossos dias vindouros.

A mensagem que eu quero deixar aqui, resumidamente, é: troque aquela obsessão pelos estudos por algumas horas de conversa com os amigos; aquele hábito de pensar no trabalho o tempo todo por uma noite de festa sem hora pra acabar; aquele medo de gastar o dinheiro que você economizou por uma ida ao cinema, ao teatro ou coisa assim. Não precisa fugir dos seus objetivos, nem prejudicar o seu tão esperado futuro. Mas viver agora e aproveitar as coisas boas da vida no hoje é fundamental.

Angústia

Mais um poema, que compõe a minha fase ‘poetisa’.

Apenas peço que não confundam minha maneira de escrever com meu momento. Ao contrário do que parece pelo poema, não estou na fase de sofrer, principalmente, em silêncio. Me sinto feliz, mas não consigo abandonar esse lado triste do poema, que, pra mim, são os mais belos.

Angústia

“Eu sempre sofri em silêncio
E as dores, escondidas pelo sutil sorriso
De um alguém que insiste em ser feliz
Vez ou outra tentaram me fazer desistir.
Mas não! Nunca deixei que isso acontecesse.
Eu aprendi muito.
Esqueci muito do que eu sabia também.
E não será agora que isso vai mudar.
Aliás, isso nuca mudará.
Continuarei eternamente aprendendo e esquecendo coisas.
Isso não é algo que me agrada,
Mas não consigo controlar a lei da natureza,
Que é bem diferente da lei dos homens.
Ainda que ela só exista pela cruel “lei dos homens”
Que para sempre irá condenar pessoas como eu e como você,
A algum momento da vida,
Sofrer em silêncio.”

Sou eu

Um poema que não me traduz, mas explica; talvez complica; mas no que isso implica? Nem mesmo eu sei decifrar. Apenas um poema.

“Sou romântica que não gosta de rimar
Poetiza que não sabe estruturar
Amante que não quer amar.

Sou alma que perde a razão
Louca que foge à paixão
Sábia que diz o não.

Sou a que implora
Que apavora
Que ora.

Sou
Eu.”

Quando a gente nasce

Nascer é um fenômeno constante, que se renova em cada etapa de nossa vida. Não acho que acontece apenas uma vez, como se acredita. Nascer é vai além de sair do ventre materno, esse é o primeiro nascimento, quando temos o primeiro contato com esse mundo. Mas no decorrer da vida, nascemos por várias vezes, em cada nova fase. E são muitas ao longo do nosso caminho.

Quando crianças, desde muito cedo passamos por nosso segundo nascimento: o nascer para a fase estudantil. Passamos a freqüentar a escola, onde conhecemos uma nova realidade e começamos a aprender novas coisas. É um novo despertar para o mundo, uma nova fase para nós.

O tempo segue e um dia a gente cresce. Chega a hora de começar a trabalhar, se tornar mais responsável. Começa assim mais um nascimento: o nascer para o mercado de trabalho, onde encontraremos desafios ainda desconhecidos, pessoas e costumes diferentes daqueles com os quais convivíamos antes; aprendemos a conviver ainda mais com opiniões adversas às nossas e descobrimos, definitivamente, que precisamos respeitá-las.

Em meio a essas mudanças de fases, nunca se sabe exatamente em que momento iremos nos deparar com o outro nascimento: para o amor. Encontramos alguém que faz a gente se sentir diferente, que muda nossa maneira de enxergar o mundo e até nos faz esquecer como eram nossos dias antes de conhecê-la. E por meio desse nascimento, acabamos, naturalmente, seguindo para o próximo nascer, que se constitui em construir uma família, como aquela em que nascemos pela primeira vez.

Mas não são apenas esses momentos que implicam um novo nascimento. Durante toda a vida, passamos por muitas situações em que sentimos a necessidade de nascer novamente. Talvez, nascer para novos planos, talvez para novos empregos, ou ainda para novos amores; ou, talvez ainda, nascer novamente para a vida como um todo.

E cada vez que a gente nasce descobrimos algo novo, encontramos respostas, até para perguntas que ainda não havíamos feito. Quando a gente nasce, uma nova realidade nasce com a gente, um novo aprendizado, uma nova oportunidade, tudo se renova.